15 de mar de 2013

De graça


       Depois de algumas semanas sem postar novos artigos, estava eu a procura de um assunto do qual desejasse escrever hoje. Tinha que ser algo que me tocasse e inspirasse. E encontrei em mim mesma o fio que teceu o texto que se segue.

     O mundo competitivo de hoje, em que precisamos sempre ser os melhores, os mais rápidos, mais espertos, mais tudo, tem nos deixado automáticos demais. Buscamos coisas sem saber direito o porquê, nem o que ganharemos quando chegarmos lá (lá onde?).
      
     Queremos conquistar as coisas pelo mérito e a sociedade exige de nós algo que não somos: perfeitos.
Pois bem, hoje quero compartilhar minha experiência pessoal nesse assunto. 

     Cresci como uma garota normal, cristã praticante, trabalhadora, com princípios éticos muito claros e fortes e... perfeccionista, isto é, fazia tudo da forma mais impecável possível, buscando ser merecedora do reconhecimento do chefe, da família, dos amigos etc. O problema é que, obviamente, isso nunca foi suficiente nem para os meus critérios, nem para os da ‘sociedade’.

        Então, conforme a maturidade e o estudo da Bíblia iam se consolidando em minha história, fui percebendo que as coisas não funcionavam bem assim.
        
        Primeiramente, disparou um ‘clic’ em mim quando entendi que a ‘sociedade’ sou eu. Eu sou a sociedade que quero que exista no mundo. Não posso dar às pessoas o direito (ou dever) de ditar como a sociedade em que eu vivo deve se comportar. Eu devo ser a sociedade que quero viver para contagiar as pessoas ao meu redor.

       E em segundo lugar, e mais importante, fui envolvida pela mensagem maravilhosa da Palavra de Deus que diz que “nós somos salvos pela graça, por meio da fé, e isto não vem de nós, é dom de Deus; não por obras, para que ninguém se glorie” (parafraseado de Efésios 2:8-9).
      
        Não existe nada – NADA – que eu faça que consiga merecer o amor de Deus. Por mais que eu tente acertar, sempre acabo errando em alguma coisa. Mas a grande mensagem do Evangelho é que eu ser imperfeita não faz a menor diferença para que Deus me ame. E se Ele me ama assim mesmo – e a você e a qualquer outro ser humano – tudo o que eu posso (podemos) fazer é amá-lo, me render e mostrar as outras pessoas esse amor.

        Essa mensagem, a da Graça, me libertou. Ela me lembra que não preciso mais ser egoísta – já posso amar. Não preciso mais competir – sou livre para cooperar, construir. Não preciso mais ser orgulhosa – a graça me alcança assim mesmo. E posso enfim buscar ser o que Deus planejou para mim – sem as imposições da sociedade.

Estamos na época da graça e não mais da Lei, das regras, do merecimento. A graça me ensina a amar as pessoas e não julgá-las pelos seus méritos ou deméritos – eu também tenho os meus. A graça me ensina a perdoar os erros dos outros, porque reconheço que eu mesma erro, eu mesma não mereceria ser perdoada – mas fui. Na graça, existe tolerância, amor, aceitação das pessoas apesar de seus erros. Eu mesma preciso ser tolerada, amada e aceita, apesar dos meus erros. E se Cristo – o perfeito – faz tudo isso por mim, quem sou eu que não queira fazê-lo? É Ele quem me dará condições para isso.

          Existe um equívoco no entendimento da maioria de nós em relação à Graça e a salvação. Geralmente entendemos que precisamos ser perfeitos e fazer tudo certo para conquistarmos a salvação, a redenção – chegamos a ficar ansiosos por não conseguirmos. 
Mas a mensagem de Cristo é totalmente inversa. Ele nos dá essa redenção de Graça, mesmo sem merecermos. O que nos atrai a Ele é justamente a sua graça e não os nossos atos. E esse amor é tão grande, que cria um novo paradigma irresistivelmente prazeroso: tendo recebido essa graça, eu preciso, eu desejo parecer-me com Ele. E o que está dentro de mim transbordará de tal forma que minhas atitudes serão coerentes com o que a Palavra ensina.

Para finalizar, quero reforçar o cerne da questão para deixar bem claro:
O paradigma de Cristo é: eu não sou merecedora e por isso recebo a Graça (nunca daria conta para alcança-la). Eu recebo a Graça e por isso busco fazer o melhor, olhando para Cristo – meu alvo, levantando sempre que cair pois Ele me ampara e corrige, dedicando minha vida a contribuir com as pessoas por meio dos meus talentos e da minha identidade.

Convido você a fazer o mesmo, independente da religião que professa. Experimente receber essa Graça, essa liberdade de ser quem você é, livre da obrigação do merecimento e alcançado pela liberdade de ser a melhor versão de si mesmo, deixando Deus mostrar-se através de você. É maravilhoso!

Grande abraço,




2 comentários:

  1. Deus abençoe você, fico feliz em saber que aquela menininha que conheci, cresceu e hoje é uma grande mulher...saudades...que Deus continue te iluminando e que sua luz possa resplandecer a todos que precisam...Fique na Paz....bjs...Renata

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    1. Oi, Renata, que saudades! Pois é, o tempo passou mesmo e Deus fez e tem feito muitas coisas nesse período! Que Ele te abençoe também e encha sua vida de sabedoria e graça! bjs

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